1 de outubro de 2026

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Em vermelho, não: por que os coreanos evitam escrever nomes assim

Caneta vermelha para corrigir prova, tudo bem. Para escrever nomes, nem pensar. Entenda de onde vem o tabu e o que usar no lugar.

Por Editores da MARU · · 6 min de leitura
Em vermelho, não: por que os coreanos evitam escrever nomes assim
Foto: Luis Alberto Garcia Garcia / Pexels

Imagine que você está assinando um cartão de aniversário num escritório na Coreia. A única caneta por perto é vermelha, você começa a escrever o nome do colega e alguém logo empurra uma caneta preta na sua direção. Ninguém ficou bravo. Você só esbarrou num dos tabus mais conhecidos do país: não se escreve o nome de uma pessoa viva com tinta vermelha.

A resposta curta é que o vermelho está ligado há muito tempo aos nomes dos mortos. Tradicionalmente, um nome escrito em vermelho podia ser lido como sinal de que a pessoa tinha morrido, então escrever assim o nome de alguém vivo passou a soar como desejar mal a essa pessoa. A crença popular vai além e diz que isso pode até trazer a morte. Acreditando ou não nessa parte, o desconforto é real o bastante para que quase todo mundo simplesmente pegue outra cor.

Vermelho, nomes e os mortos

A explicação mais comum tem a ver com registros. Num texto explicativo de 2024, o Korea Herald contou que muitos coreanos se sentem desconfortáveis ao ver o próprio nome em vermelho porque, no passado, essa cor era usada para os nomes dos falecidos nos registros de família. A revista on-line do Museu Nacional do Folclore da Coreia também observa que o vermelho costuma ser usado para escrever nomes de mortos e para corrigir erros.

As tradições funerárias também colocam vermelho e nomes lado a lado. O 명정 (myeongjeong) é uma longa faixa com o cargo oficial e o sobrenome do falecido; ela vai à frente do caixão no cortejo e é estendida sobre ele no enterro. Segundo a Enciclopédia da Cultura Coreana, a faixa é tradicionalmente de tecido vermelho, com as letras em pó branco ou prata. Não é difícil entender como um nome sobre o vermelho, ou em vermelho, passou a parecer coisa de quem já partiu.

As lendas por trás do tabu

Como ninguém consegue apontar uma data de origem clara, a Coreia acumulou várias histórias. A mais popular tem como protagonista Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China. Diz a lenda que ele queria o vermelho só para si, então escrever um nome em vermelho era proibido sob pena de morte; a ideia teria chegado à Coreia pelos laços próximos com a China. Tanto a revista do Museu Nacional do Folclore quanto o Korea Herald recontam essa história, que funciona melhor como lenda do que como fato histórico comprovado.

A revista do museu chega a contar uma história bem mais estranha, sobre uma rainha do Egito antigo que ficou furiosa ao ser pintada de vermelho, como se estivesse coberta de sangue. Que um museu nacional reúna duas versões tão diferentes diz muito: a origem verdadeira é incerta, e a crença sobreviveu a qualquer explicação. A conclusão do próprio texto é delicada: seja qual for o motivo, as pessoas evitavam nomes em vermelho pelo desejo de segurança para si e de bem-estar para quem está por perto.

A linguagem do dia a dia reforça o clima. No coreano informal, fala-se em ter um 빨간 줄 (ppalgan jul, "linha vermelha") na ficha para dizer que alguém tem antecedentes criminais. É outra ideia, mas mostra como marcas vermelhas em papéis oficiais raramente são boa notícia.

O vermelho em si não dá azar

Nada disso faz do vermelho uma cor azarada na Coreia. Na tradição, ele é uma cor poderosa. Os amuletos populares chamados 부적 (bujeok) são desenhados com cinábrio vermelho sobre papel amarelo, e a Enciclopédia da Cultura Coreana explica que o vermelho corresponde ao sangue e ao fogo, simboliza a vida e, pelo poder purificador do fogo, era considerado capaz de afastar os maus espíritos.

O vermelho também faz parte da papelada comum. Os carimbos de nome coreanos, 도장 (dojang), são usados com uma pasta vermelha chamada 인주 (inju), e ninguém estranha: o carimbo confirma um nome, não o risca. Professores corrigem em vermelho, revisores marcam em vermelho e sublinhados vermelhos estão por toda parte. O tabu é bem específico: escrever um nome, principalmente de alguém vivo, em vermelho.

O quanto os coreanos ligam para isso hoje?

Acreditando ou não na explicação popular, o costume é tão conhecido que quebrá-lo passa uma mensagem. O Korea JoongAng Daily, num texto de 2022 sobre superstições coreanas, classificou escrever o nome de alguém em vermelho como extremamente rude, e o Korea Herald observou em 2024 que muitos coreanos ainda se sentem desconfortáveis com isso. Na prática, as pessoas evitam o vermelho, sem alarde, em crachás, listas de presença, cartões de lugar à mesa e cartões de felicitação.

Também é algo que se aprende cedo. A revista do Museu Nacional do Folclore abre com uma lembrança de infância de quem escreveu o texto: colegas de carteira ameaçando escrever o nome um do outro em vermelho e protestando alto, sem saber direito por que aquilo seria tão grave. Essa mistura de meia-crença com drama de recreio resume bem o tabu hoje: muita gente não chamaria isso de medo de verdade, mas quase ninguém faz de propósito. Ideias parecidas sobre nomes em vermelho existem em outras partes do Leste Asiático, então a Coreia não está sozinha.

Se você for à Coreia

Respostas rápidas

Por que não se pode escrever o nome em vermelho na Coreia?

Porque o vermelho foi associado por muito tempo aos nomes dos mortos, por exemplo em registros antigos. Por isso, o nome de uma pessoa viva em vermelho pode parecer um desejo de morte. A crença popular diz até que isso traz azar ou morte.

Posso usar caneta vermelha na Coreia?

Pode. Tinta vermelha é normal para correções, notas de prova, anotações e destaques, e a pasta vermelha dos carimbos de nome é completamente comum. Só se evita escrever nomes em vermelho.

Que cor usar para escrever o nome de alguém?

Preto ou azul é a escolha segura para cartões, formulários e crachás.

Fontes

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