O Brasil cantou 'Maria' em coreano: a primeira noite de K-pop do Rock in Rio
Um público de ingressos esgotados cantou 'Maria', da Hwasa, em coreano e iluminou o Stray Kids com lightsticks. Por que a Coreia estava de olho.

Em 11 de setembro de 2026, o Rock in Rio fez algo que nunca tinha feito em mais de quatro décadas: dedicou uma noite inteira ao K-pop. No fim, o público brasileiro cantou um refrão em coreano de volta para a Hwasa, e o festival mudou as próprias regras para que os fãs do Stray Kids pudessem agitar seus lightsticks. O g1 depois escolheu o show da Hwasa como o segundo melhor de todo o festival, logo atrás de Elton John.
Em Seul já era o dia seguinte quando os vídeos começaram a chegar, e para muitos coreanos foi uma manhã de orgulho e um pouco surreal. Veja o que aconteceu no Rio e os pedaços da cultura de fã coreana que deram àquela noite a cara que ela teve.
Uma estreia do K-pop no Rock in Rio
O Rock in Rio, realizado pela primeira vez em 1985, é um dos maiores festivais de música do mundo. Pelo Palco Mundo já passou todo mundo, de Queen a Foo Fighters. A edição de 2026 teve sete dias e mais de 120 atrações, e um desses dias, a sexta-feira, 11 de setembro, foi o dia do K-pop. Segundo o g1, os 100 mil ingressos da noite se esgotaram.
A Hwasa subiu ao Palco Mundo antes da atração principal e se tornou a primeira artista solo do K-pop, e a primeira mulher do K-pop, a se apresentar no festival. Depois, o Stray Kids fechou a noite. No meio disso, a banda britânica Jamiroquai tocou no Palco Sunset, e o g1 contou, achando graça, que a maioria das STAYs simplesmente não saiu do lugar em frente ao palco principal.

Quem é a Hwasa, e por que os coreanos torcem por ela
Hwasa (화사, nome verdadeiro Ahn Hye-jin) é integrante do MAMAMOO, um girlgroup que estreou em junho de 2014 e que na Coreia é conhecido, acima de tudo, por cantar de verdade ao vivo. A carreira solo dela começou em fevereiro de 2019 com "Twit" (멍청이, meongcheong-i, "boba"), e "Maria", lançada em junho de 2020, virou a música-assinatura dela.
O que os coreanos amam nela não é um único hit, e sim uma atitude. Dos idols do K-pop muitas vezes se espera que sejam polidos e cuidadosos; a Hwasa construiu a carreira solo cantando abertamente sobre autoconfiança e o próprio corpo. O g1 a descreveu como uma popstar firme, desbravadora e até feminista para os moldes do K-pop. Em 2023 ela foi para a P NATION, a gravadora comandada pelo PSY, e o primeiro single dela lá se chamou, sem rodeios, "I Love My Body". A música "Good Goodbye", de outubro de 2025, virou um dos maiores hits da Coreia: somou 750 "perfect all-kills" (primeiro lugar em todas as principais paradas coreanas ao mesmo tempo) no medidor iChart.
Ela também é famosa por algo bem mais cotidiano: ama comer. Em junho de 2018 apareceu no reality I Live Alone (나 혼자 산다), da MBC, comendo sozinha, toda feliz, tripa bovina grelhada, o 곱창 (gopchang), e logo os jornais coreanos noticiaram que o gopchang estava esgotando em restaurantes do país inteiro.

O Brasil canta "Maria", em coreano
No Rio, a Hwasa cantou por cerca de uma hora: 13 músicas, abrindo com "HWASA", faixa que leva o nome dela, seguida de "Chili". Teve um medley de sucessos do MAMAMOO e, durante "So Cute", ela desceu do palco para encontrar os fãs no meio do público.
Aí veio "Maria". No vídeo oficial daquela noite, a Hwasa vira o microfone para a plateia no último refrão, e milhares de brasileiros cantam a letra em coreano de volta para ela. A imprensa coreana contou que o público fez o mesmo com "Twit" e "Good Goodbye".
Os coreanos têm uma palavra para isso: 떼창 (ttechang), a plateia inteira cantando como uma só voz. Nos shows na Coreia, os fãs decoram as letras antes justamente para poder entrar no coro, e um ttechang bem alto é a recepção mais calorosa que um público pode dar. Ouvir um no Rio, de gente cantando numa língua que não é a sua, foi exatamente o que fez esses vídeos parecerem tão especiais lá na Coreia.
A Hwasa fechou com "Good Goodbye", enrolada numa bandeira do Brasil. Num comunicado divulgado depois pela agência, ela disse que esperava muito por aquele palco porque conhecia a história e o peso do Rock in Rio, e que a resposta do público a emocionou profundamente.

Stray Kids, lightsticks e uma passarela
O Stray Kids, grupo de oito integrantes formado pela JYP Entertainment num reality show de 2017, fechou a noite. Era a segunda vinda deles ao Brasil, depois dos shows em estádios do Rio e de São Paulo no ano anterior. Segundo o g1, o grupo já soma nove álbuns seguidos estreando em primeiro lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos e mais de 30 milhões de álbuns vendidos. Eles também escrevem e produzem a maior parte das próprias músicas, sob o comando do trio 3RACHA.
O festival abriu duas exceções para eles: uma passarela comprida, que normalmente não faz parte do Palco Mundo, e a liberação dos lightsticks. Os integrantes gritaram frases em português como "Faz barulho!" e encaixaram um trecho de "Ai se eu te pego", do Michel Teló, no show. O crítico do g1 resumiu bem: no show do Stray Kids, o maior espetáculo é a plateia.
É aí que entram os lightsticks. Na Coreia, o lightstick, 응원봉 (eungwonbong, "bastão de torcida"), faz parte do próprio show. Cada grupo tem o seu modelo oficial e, em muitos shows de K-pop, os lightsticks oficiais podem ser sincronizados pela produção, de modo que dezenas de milhares mudam de cor juntos, no ritmo da música.

Se você for a um show de K-pop
- Aprenda o fanchant. Muitas músicas de K-pop têm um 응원법 (eungwonbeop) oficial, um guia de torcida que as agências costumam publicar na internet: os fãs gritam os nomes dos integrantes ou frases fixas em pontos certos da música.
- Confira as regras dos lightsticks. O lightstick oficial é o acessório clássico, mas nem todo lugar libera, como mostra a exceção do Rock in Rio. Confira antes de ir.
- Decore um refrão em coreano. Você não precisa falar a língua. Um refrão já basta para entrar no ttechang.
- Saiba o nome do fandom. Os fãs do Stray Kids são as STAYs; os do MAMAMOO, MooMoo (무무).
- Compre ingresso só nos canais oficiais. Os grandes shows de K-pop costumam esgotar rápido, e os golpes de revenda vêm logo atrás.

Respostas rápidas
Quem foi a primeira artista solo do K-pop no Rock in Rio?
A Hwasa, do MAMAMOO, em 11 de setembro de 2026, a primeira noite de K-pop do festival. Ela também foi a primeira mulher do K-pop a se apresentar lá.
Qual grupo de K-pop foi a atração principal do Rock in Rio 2026?
O Stray Kids fechou a noite do K-pop no Palco Mundo, para um público de 100 mil pessoas, com ingressos esgotados.
O que significa "ttechang" no K-pop?
떼창 (ttechang) é a palavra coreana para a plateia inteira cantando junto, como o público do Rio cantando "Maria".


